1 de dezembro de 2011

Notas sobre a noite

Hoje, por falta de postagens neste blog, decidi tirá-lo do ar. Na verdade, já tomei essa mesma decisão algumas vezes, mas nunca consegui. Volto, leio os textos e eles me despertam tantos sentimentos e me levam a tantos lugares. Então mudei de ideia e decidi não apagar, seguindo o que um amigo me disse: “textos não envelhecem, apenas ganham novas perspectivas, novas leituras”.

Este mesmo amigo também me mandou vir escrever aqui, aproveitar meu momento de ócio (“enquanto você está aí de bunda para cima”, foram as palavras exatas) e disse que antes de dormir a alma está mais aberta.

Então eu fiquei pensando nisso e concordei. Já reparou como de manhã todos são mais contidos e de noite mais abertos, despojados? Não é a toa que nós trabalhamos de manhã e saímos com os amigos à noite. Eu já teria perdido a maioria dos meus amigos se eles precisassem conviver comigo todas as manhãs...

Fato é que depois de um longo dia em que muitas coisas acontecem, realizações e decepções, tudo isso toma conta da sua cabeça. E de noite, antes de dormir, você repassa aquele filminho... e às vezes fica muito feliz, e às vezes muito triste. E aí você sente vontade de falar com alguém, ou de ficar quieto com alguém, ou de ficar quieto com você mesmo, conversando com seus pensamentos e se convencendo de que não importa o quão bom ou ruim foi o hoje, amanhã será melhor.

Embora eu goste das manhãs, do sol e do céu azul, a noite me fascina. Gosto de ver o sol se pôr e a lua é um espetáculo que faço questão de admirar. À noite os sentimentos ficam mais em evidência, a saudade fica mais forte, tudo fica mais intenso. As cores da noite, os cheiros, tudo me parece mais verdadeiro. Sob o risco de soar ambígua, acho mesmo que sou uma mulher da noite.

Pôr-do-sol na praia de Kaanapali, na ilha de Maui, Hawaii

6 de junho de 2011

O doce veneno da incoerência

Acho graça (no melhor estilo vamos rir pra não chorar) que um governador como o do Rio de Janeiro seja tão mal assessorado a ponto de dar declarações que não passam de tiros no pé. Ele classificou os bombeiros que invadiram o quartel central para exigir melhores salários como "imprudentes, vândalos irresponsáveis" e apoiou sua crítica principalmente no fato de alguns terem levado seus filhos ao protesto.

Caro governador, vamos gastar alguns segundos para raciocinar de forma lógica? Se os bombeiros foram irresponsáveis por levar os filhos ao protesto, como devemos chamar o homem que mandou a tropa de choque atacar um local cheio de crianças com bombas e gás lacrimogêneo? Prudente e responsável são adjetivos que não parecem caber bem...

Sem entrar nos méritos éticos, sociais e salariais da questão, fico por aqui. Mais sobre o caso na Folha de S. Paulo.

25 de maio de 2011

Estágios da volta pra casa

E aí você chega ao país que deveria ser familiar e se sente um peixe fora d’água. Tudo o que você achava comum por ser essencialmente brasileiro começa a ser irritante: excesso de gente, trânsito, barulho, lixo na rua... Depois de um tempo, porém, você volta a enxergar as coisas boas e o piripaque passa. Não há nada como ter amigos e amores perto de você e se pra isso você tiver que catar uns papeis de bala na rua, assim será.

Começa então a segunda fase: onde você estava com a cabeça quando pediu demissão para brincar de estudar e agora voltar uma pessoa desempregada? Mais um pouco de piripaque e você se lembra dos amigos maravilhosos, das trocas de experiências, do seu inglês super-mega-blaster, do curso bacanudo e do estágio incrível. Ufa, passou!

O terceiro estágio entra em cena: a busca desesperada pelo emprego ideal, aquele que vai trazer o retorno do seu investimento, aquele onde você vai crescer e que atende a listinha de exigências que você montou durante as férias o curso. Mas aí vem a vida real – essa que ninguém gosta, mas que insiste em aparecer – e coloca seus pés no chão.

Essa é a fase em que me encontro agora. Busco um novo emprego, um que me faça feliz e que vá de encontro a pelo menos parte da minha listinha. Aguardo ansiosamente a ansiedade ansiosa do primeiro dia de trabalho, onde tudo é desconhecido e os desafios são enormes. Mas enquanto isso não acontece, fico por aqui sonhando com o meu emprego perfeito. Afinal, sonhar é de graça e, por isso mesmo, não custa nada!

aguarde cenas do próximo capítulo...

21 de março de 2011

Adeus. Adiós. Au revoir. Addio. Goodbye.

Tenho pensado muito no fato de ter que dizer adeus a coisas, pessoas, momentos e lugares. Isso porque estou me despedindo desta fase excelente que vivi em San Diego. Mas cheguei à conclusão de que estamos sempre dizendo adeus e isso não é necessariamente ruim.

Crescemos cercados de amigos, na escola, na faculdade, na vizinhança. Com quantos deles você tem contato frequente? Quantos abraços de adeus, mesmo que sem intenção, você deu naquela formatura? No fundo, aliás, acho que esse é um dos motivos pelos quais choramos tanto em formaturas.

Em busca de realização profissional, também abrimos mão de muita coisa. Às vezes vamos estudar longe, deixando para trás família, amigos e amores. Às vezes deixamos de lado salários maiores para manter o equilíbrio. E, na maioria das vezes, abrimos mão do equilíbrio em prol de salários maiores.

No fim, a vida é feita de decisões e para dar lugar a novas experiências é preciso praticar o desapego. Nunca sabemos o que nos espera ao virarmos a próxima esquina e o medo de tentar pode nos afastar da felicidade. Enquanto estivermos vivos deveríamos sempre assumir riscos com a mente aberta de quem pode voltar atrás se preciso for. Fato é que as experiências sempre trarão aprendizado e aquelas mesmas coisas, pessoas, momentos e lugares para quem você disse adeus estarão sempre com você.

Acredito que nenhum adeus seja definitivo. Desde que os sentimentos sejam verdadeiros, você sempre terá para onde voltar.

8 de março de 2011

Grande Rio, tem que respeitar

Dez e meia da noite e chove em San Diego como chove no Rio de Janeiro. O desfile da Grande Rio acabou de terminar e poucas vezes fiquei tão emocionada durante o Carnaval como hoje. A Grande Rio superou um incêndio que levou 90% dos carros e fantasias da escola e em 23 dias colocou um desfile lindo na avenida. Ouvi algumas vezes a palavra milagre, mas me desculpem os religiosos, milagre não faz Carnaval. O que faz Carnaval é a união de uma comunidade, é a vontade, a garra e a superação.

Fora do Brasil, é muito difícil explicar do que realmente se trata o Carnaval. Existe a tendência de pensar que são apenas alguns dias em que todos nós queremos encher a cara e andar nus. Mas como explicar a cultura, a emoção, a entrega? Como explicar o amor e a admiração? A superação da Grande Rio (e também da Portela e da União da Ilha) ficará marcada pra sempre na história do Carnaval brasileiro. Tem que respeitar. Eles fizeram bonito e com dignidade. Não teve fogo e nem água. Em 2012, segurem a Sapucaí, porque tenho certeza que a Grande Rio vem pra arrebentar.

Atualização: A MÚSICA VENCEU! Um registro da vitória da Vai-Vai, campeã do Carnaval 2011, que levou pra avenida a história do maestro João Carlos Martins.

26 de fevereiro de 2011

Underheard in NY

Há pouco tempo, conheci e passei a admirar o projeto Underheard in New York (em tradução livre, Os não-ouvidos de Nova York). O projeto foi desenvolvido por um grupo de estagiários de um banco nova-iorquino a partir de um desafio da empresa: “façam algo bom, mas que também seja grande e cause uma mudança efetiva”. Eles resolveram dar voz a alguns moradores de rua por meio das redes sociais. Quatro homens foram escolhidos para carregar um celular com mensagens de texto ilimitadas e acesso ao Twitter, contar o seu dia-a-dia e compartilhar seus pensamentos.

Juntos, Danny, Derrick, Albert e Carlos dividem suas ideias com quase 15 mil seguidores. E a última grande mudança causada pelo projeto foi o reencontro de Danny com sua filha Sarah, que não via há 11 anos. Ele publicou um tweet com o número de seu celular, informações e uma foto da filha. Um amigo reconheceu e avisou Sarah, que entrou em contato imediatamente. O reencontro foi gravado e transmitido por diversas redes de TV americanas.

Esse é apenas mais um exemplo de como as redes sociais podem ir além da superficialidade e trabalhar como microfone para quem precisa de voz. Sejam moradores de rua que muitas vezes parecem invisíveis aos olhos dos transeuntes, moradores de favelas que enfrentam guerras diárias, pessoas em países que passam por revoluções políticas ou consumidores que querem fazer valer seus direitos.

As mídias sociais tornam mais difíceis a censura e o cerceamento. Está cada vez mais difícil calar as minorias e esconder o que se passa do resto do mundo. Enfim um ponto pra gente!

25 de fevereiro de 2011

Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar

Não é que eu entenda de política e tenha alguma competência pra falar sobre isso. Eu tento acompanhar, mas por vários motivos essa não é uma prioridade. Um deles, com certeza, é o fato de que acompanhar a política te faz mais descrente. Te faz perder a fé na vida, nas pessoas, no futuro. Te faz perceber que você, as pessoas e os lugares que você ama estão nas mãos de pessoas que não se importam nem com a própria mãe.

Tudo isso é pra falar que eu venho acompanhando aqui de longe a novela do salário mínimo. Governo e oposição montaram um circo e brigam por quinze reais. QUINZE REAIS. Felizmente, meus pais batalharam muito, muito, muito, pra que eu não precisasse me preocupar com uma diferença de quinze reais no salário mínimo. Mas felizmente eles também me educaram para me importar. Então, agora nessa briga ridícula por um salário que não garante as necessidades básicas da população, apareceu o primeiro sinal do que parece ser o caminho que trilharemos no Brasil de Dilma Rousseff. A presidenta decidiu que até 2015 o salário mínimo será definido por decreto. Decreto que parece ser constitucional, mas que coloca em xeque a existência do Senado.

Pra mim, essa briga é pela honra. É uma briga pelo respeito, pela decência, pela dignidade com que devem ser tratadas as pessoas que colocaram o Brasil na posição que ele ocupa hoje dentro da economia mundial. Porque, convenhamos, 15 reais não vão comprar a casa própria, não vão pagar o atendimento médico de qualidade, não vão melhorar o valor nutritivo das refeições e não vão colocar as crianças na escola particular.

E como faz pra não perder a fé nas pessoas? No meu caso, tatuei a fé no corpo, pra ter certeza de que ela estará sempre comigo. Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar. Já diria Gil.

13 de fevereiro de 2011

Tropa de Elite 2: verdades inconvenientes


Acabei de assistir Tropa de Elite 2. Muito menos ação que o primeiro, mas muito mais verdades. Não entendo do processo de patrocínio de filmes no Brasil, mas queria saber como Tropa 2 conseguiu o apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro e demais instituições do governo brasileiro. A cena aérea em Brasília fala muita coisa por si só.

A parte triste é a constatação de que mesmo que alguém pudesse exterminar cada traficante, policial e político corrupto, não adiantaria. Porque a corrupção no Brasil, e acho que em qualquer outro lugar do mundo, é como erva daninha. Você arranca, mas sempre nasce outra no lugar. E quando você cansa e baixa a guarda, a erva daninha toma conta do seu jardim.

O jeito é pedir pra sair. E botar tudo na conta do Papa.

7 de fevereiro de 2011

Welcome back!

Um dia você acorda e depois de 2 anos sem atualizar o blog decide postar alguma coisa. Não pros leitores que com certeza já se foram, mas pra você mesmo. Acho que já comentei aqui que escrever é uma forma de conversar comigo mesmo, né? Porque se eu falar sozinha, já sabem, psiquiatra na certa!

Mas eu não vim dizer que vou voltar a postar toda semana. Porque péssima blogueira eu posso ser, mas mentirosa, jamais! Mas tem tanta coisa acontecendo na minha vida, tanta gente nova, lugares novos e experiências novas. Tanta coisa dentro de mim que daria até um livro. Se eu não fosse preguiçosa demais pra escrever um, claro.

Um resumo rápido: desde o último post eu já me formei em Relações Públicas, já trabalhei bastante, já deixei família, amigos e emprego pra trás e mudei de país. Atualmente sou estudante nos EUA e frequento um curso de extensão na UCSD. Quando o post anterior a esse fizer 2 anos, faltarão 4 dias pra eu voltar pro Brasil.

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Você já reparou como todos os clichês que a gente conhece em algum momento acabam se mostrando verdadeiros? Todo mundo diz que uma experiência internacional muda qualquer pessoa. Eu concordo discordando. Eu não acho que a experiência pode mudar uma pessoa, sei lá, acho que pessoas são pessoas e não mudam assim tão fácil. Mas concordo que quando você está sozinho num lugar desconhecido, onde você precisa aprender a viver do zero, você passa a entender melhor quem você é.

A verdade é que o ser humano sempre se adapta ao ambiente em que está. É humano e aceitável. E quando você dedica seu tempo a fazer novos amigos, lidar com sentimentos variados e ainda descobrir que ônibus pegar, isso faz diferença. Faz diferença fazer suas próprias escolhas sem influências. Faz diferença também sair da rotina e pensar na vida. Porque pensar na vida - veja bem que clichê - faz diferença. Mais sobre isso em breve.