27 de janeiro de 2009

S.O.S Saúde

Ontem, passei pelo Telecine e comecei a assistir um documentário do Michael Moore: Sicko - S.O.S. Saúde. O objetivo do documentário era mostrar como funciona o sistema público de saúde nos EUA. Achei interessante e queria dividir alguns pontos, no mínimo, curiosos. Não sei se existe spoiler de documentário, mas se não quiser saber o que se passa, por favor, não leia.

- O sistema público de saúde dos EUA é uma bosta, assim como o brasileiro. É comum que hospitais peguem um paciente desorientado, coloquem dentro de um táxi e mandem o motorista jogar (literalmente) na porta de um abrigo. Isso porque a pessoa não tem meios para pagar o tratamento de que precisa. Bom, pelo menos nunca ouvi dizer que fizeram isso aqui.

- Na França, todo o tratamento de saúde que uma pessoa vier a precisar na vida é gratuito. Não importa o que, quando e onde. É gratuito. O trabalhador também tem direito a licença ilimitada por motivo de doença, além de licença de uma semana para lua-de-mel e de um dia para mudança de casa. Tudo remunerado. Creches são de graça. Além de todo e qualquer estudo durante a vida... Colégio, faculdade... Ahhhh! Se você é uma nova mamãe, o governo te manda uma babá 2 vezes por semana, por 4 horas, para te ajudar. Ela pode cuidar do bebê para você ir ao mercado, ao shopping ou para sair com seu marido. Ela pode lavar a louça, a roupa ou fazer o jantar. Gente, eu juro! Bem, quando a esmola é demais o santo desconfia, certo? Michael Moore foi verificar qual era o impacto de todas essas maravilhas nos impostos. E descobriu que não é nada mais do que acontece em outros lugares. Tipo assim, normal. Acho que é só o que acontece quando o dinheiro arrecadado não é desviado.

- Voltando aos EUA, Moore encontrou algumas pessoas que trabalharam no resgate de 11 de setembro voluntariamente. Ou seja, não estavam na folha de pagamento do governo e, por isso, não receberam nada pelas doenças respiratórias e psicológicas que contraíram. O cineasta também descobriu que em Guantánamo (aquela que Obama quer desativar) os presos recebem tratamento de saúde de primeira linha. Assim, Michael Moore resolveu levar todos os voluntários para Guantánamo, onde não conseguiu entrar por razões óbvias. Perdido em Cuba com um monte de gente doente, descobriu que o sistema de saúde cubano é um dos melhores do mundo e também totalmente gratuito. Assim, os médicos da ilha examinaram e a diagnosticaram os voluntários e deram a eles um tratamento para seguir em casa. Ah! Uma moça que usava uma bombinha para asma comprada por 120 dólares nos EUA encontrou o mesmo medicamento em Cuba por CINCO CENTAVOS de dólares americanos.

Super recomendo esse documentário cheio de paradoxos.
Hasta la vista, baby.

19 de janeiro de 2009

O lado bom do bicho-papão

Acabei de ler um artigo no UOL, reproduzido do The New York Times, que comenta a grande mudança moral, cultural e a inversão de valores que a crise está trazendo à França. Os problemas financeiros que afetaram o setor de luxo no país estão levando os franceses a reencontrar as pequenas alegrias de uma vida mais simples e menos ostensiva. A população de lá, mesmo que não seja inteiramente rica, está acostumada a lidar com o luxo em seu dia-a-dia. É uma questão cultural. Eu, como sempre, sou a favor do equilíbrio. Bendito seja quem inventou o meio termo. Acho que quem trabalha muito para ganhar seu dinheiro deve, sim, ter direito a alguns privilégios e conforto. Afinal de contas, por mais problemas que o mundo enfrente, não posso me envergonhar de ter tido a sorte de estudar, me formar, conseguir um bom emprego... No entanto, sabemos que o planeta está excessivamente desigual e ficar por aí exibindo jóias, carros e roupas de milhões de reais, dólares ou euros não está com nada. É, no mínimo, ridículo. O equilíbrio está em dar mais valor às pequenas coisas e, principalmente, às pessoas. Ficar de moletom, em casa, com a família pode e deve ser mais bacana do que gastar dinheiro no shopping. Além disso, ajudar também é a palavra de ordem. Mais do que fazer doações - de dinheiro, roupas, brinquedos ou o que for - arregaçar as mangas e fazer algo que realmente signifique uma mudança, mesmo que mínima. É legal olhar para os dois lados da crise e ver que, no fim, sempre existe uma herança positiva. Recomendo o artigo: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2009/01/19/ult574u9087.jhtm