Recentemente coloquei
a minha opinião sobre a demissão de metroviários em greve de forma um pouco
irônica (a ironia faz parte da minha alegria de viver) em uma rede social. O
que se sucedeu foi um debate bastante acalorado entre partes desconhecidas. E
isso me levou a pensar.
Sou uma defensora
ferrenha do debate, da discussão e da argumentação. O direito ao debate é natural
ao cidadão (alô liberdade de expressão!), assim como é constitucional o direito
à greve. Além disso, discutir um tema por vezes é a única maneira de mantê-lo
vivo, de fomentar o raciocínio sobre a questão e de, quem sabe, buscar uma
solução.
Mas, como todo direito,
juntam-se a ele alguns deveres, que na minha própria Constituição incluem, mas
não se limitam a: o cidadão deve se informar sobre o assunto a ser debatido, em
diversas fontes; o cidadão deve enxergar o tema dentro de um contexto humano,
excluindo as dicotomias tolas e os partidarismos desnecessários; o cidadão deve
usar de boa educação; o cidadão deve formular uma ideia própria, a partir de
sua própria moral e experiências, mas jamais se fechar a mudanças de ideia e
opinião que venham a ocorrer pelo bem de todos.
PAUSA. Mais sobre a
beleza das mudanças de ideia nesse texto fantástico da Marina Viana.
O fato é que o debate
pelo debate é tão inútil quanto gritar sozinho no deserto. E fico intrigada
quando vejo que um monte de boas ideias não são suficientes para sustentar uma
discussão e que as piadas (piada não é ironia, qualquer coisa pergunta pro
Google) são usadas como apoio para cada argumento. O ataque pessoal, seja ao
debatedor à nossa frente ou à ideia apresentada, não contribui para a
construção saudável de um universo de opiniões mais rico. E aí, nesse debate
aqui entre eu e eu mesma, concluí que essa tal democracia é negócio para
poucos. Não existe democracia padrão FIFA. Enquanto não soubermos trocar ideias
e experiências de maneira mais consciente, ainda precisaremos lidar com
milhares e milhares de vândalos digitais ou black blocks do debate.
#imaginaprasempre
