26 de fevereiro de 2011

Underheard in NY

Há pouco tempo, conheci e passei a admirar o projeto Underheard in New York (em tradução livre, Os não-ouvidos de Nova York). O projeto foi desenvolvido por um grupo de estagiários de um banco nova-iorquino a partir de um desafio da empresa: “façam algo bom, mas que também seja grande e cause uma mudança efetiva”. Eles resolveram dar voz a alguns moradores de rua por meio das redes sociais. Quatro homens foram escolhidos para carregar um celular com mensagens de texto ilimitadas e acesso ao Twitter, contar o seu dia-a-dia e compartilhar seus pensamentos.

Juntos, Danny, Derrick, Albert e Carlos dividem suas ideias com quase 15 mil seguidores. E a última grande mudança causada pelo projeto foi o reencontro de Danny com sua filha Sarah, que não via há 11 anos. Ele publicou um tweet com o número de seu celular, informações e uma foto da filha. Um amigo reconheceu e avisou Sarah, que entrou em contato imediatamente. O reencontro foi gravado e transmitido por diversas redes de TV americanas.

Esse é apenas mais um exemplo de como as redes sociais podem ir além da superficialidade e trabalhar como microfone para quem precisa de voz. Sejam moradores de rua que muitas vezes parecem invisíveis aos olhos dos transeuntes, moradores de favelas que enfrentam guerras diárias, pessoas em países que passam por revoluções políticas ou consumidores que querem fazer valer seus direitos.

As mídias sociais tornam mais difíceis a censura e o cerceamento. Está cada vez mais difícil calar as minorias e esconder o que se passa do resto do mundo. Enfim um ponto pra gente!

25 de fevereiro de 2011

Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar

Não é que eu entenda de política e tenha alguma competência pra falar sobre isso. Eu tento acompanhar, mas por vários motivos essa não é uma prioridade. Um deles, com certeza, é o fato de que acompanhar a política te faz mais descrente. Te faz perder a fé na vida, nas pessoas, no futuro. Te faz perceber que você, as pessoas e os lugares que você ama estão nas mãos de pessoas que não se importam nem com a própria mãe.

Tudo isso é pra falar que eu venho acompanhando aqui de longe a novela do salário mínimo. Governo e oposição montaram um circo e brigam por quinze reais. QUINZE REAIS. Felizmente, meus pais batalharam muito, muito, muito, pra que eu não precisasse me preocupar com uma diferença de quinze reais no salário mínimo. Mas felizmente eles também me educaram para me importar. Então, agora nessa briga ridícula por um salário que não garante as necessidades básicas da população, apareceu o primeiro sinal do que parece ser o caminho que trilharemos no Brasil de Dilma Rousseff. A presidenta decidiu que até 2015 o salário mínimo será definido por decreto. Decreto que parece ser constitucional, mas que coloca em xeque a existência do Senado.

Pra mim, essa briga é pela honra. É uma briga pelo respeito, pela decência, pela dignidade com que devem ser tratadas as pessoas que colocaram o Brasil na posição que ele ocupa hoje dentro da economia mundial. Porque, convenhamos, 15 reais não vão comprar a casa própria, não vão pagar o atendimento médico de qualidade, não vão melhorar o valor nutritivo das refeições e não vão colocar as crianças na escola particular.

E como faz pra não perder a fé nas pessoas? No meu caso, tatuei a fé no corpo, pra ter certeza de que ela estará sempre comigo. Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar. Já diria Gil.

13 de fevereiro de 2011

Tropa de Elite 2: verdades inconvenientes


Acabei de assistir Tropa de Elite 2. Muito menos ação que o primeiro, mas muito mais verdades. Não entendo do processo de patrocínio de filmes no Brasil, mas queria saber como Tropa 2 conseguiu o apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro e demais instituições do governo brasileiro. A cena aérea em Brasília fala muita coisa por si só.

A parte triste é a constatação de que mesmo que alguém pudesse exterminar cada traficante, policial e político corrupto, não adiantaria. Porque a corrupção no Brasil, e acho que em qualquer outro lugar do mundo, é como erva daninha. Você arranca, mas sempre nasce outra no lugar. E quando você cansa e baixa a guarda, a erva daninha toma conta do seu jardim.

O jeito é pedir pra sair. E botar tudo na conta do Papa.

7 de fevereiro de 2011

Welcome back!

Um dia você acorda e depois de 2 anos sem atualizar o blog decide postar alguma coisa. Não pros leitores que com certeza já se foram, mas pra você mesmo. Acho que já comentei aqui que escrever é uma forma de conversar comigo mesmo, né? Porque se eu falar sozinha, já sabem, psiquiatra na certa!

Mas eu não vim dizer que vou voltar a postar toda semana. Porque péssima blogueira eu posso ser, mas mentirosa, jamais! Mas tem tanta coisa acontecendo na minha vida, tanta gente nova, lugares novos e experiências novas. Tanta coisa dentro de mim que daria até um livro. Se eu não fosse preguiçosa demais pra escrever um, claro.

Um resumo rápido: desde o último post eu já me formei em Relações Públicas, já trabalhei bastante, já deixei família, amigos e emprego pra trás e mudei de país. Atualmente sou estudante nos EUA e frequento um curso de extensão na UCSD. Quando o post anterior a esse fizer 2 anos, faltarão 4 dias pra eu voltar pro Brasil.

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Você já reparou como todos os clichês que a gente conhece em algum momento acabam se mostrando verdadeiros? Todo mundo diz que uma experiência internacional muda qualquer pessoa. Eu concordo discordando. Eu não acho que a experiência pode mudar uma pessoa, sei lá, acho que pessoas são pessoas e não mudam assim tão fácil. Mas concordo que quando você está sozinho num lugar desconhecido, onde você precisa aprender a viver do zero, você passa a entender melhor quem você é.

A verdade é que o ser humano sempre se adapta ao ambiente em que está. É humano e aceitável. E quando você dedica seu tempo a fazer novos amigos, lidar com sentimentos variados e ainda descobrir que ônibus pegar, isso faz diferença. Faz diferença fazer suas próprias escolhas sem influências. Faz diferença também sair da rotina e pensar na vida. Porque pensar na vida - veja bem que clichê - faz diferença. Mais sobre isso em breve.