31 de outubro de 2013

Sobre Cuba, a solitária e esperançosa ilha de Fidel

Passadas algumas semanas, bateu a vontade de comentar sobre a experiência nobre e enriquecedora de conhecer Cuba. Fui mais tarde do que gostaria, mas certamente antes que essa linda ilha perdesse seus encantos e a história que ali está enraizada.

O mar do Caribe, os belos hotéis que surgiram nos últimos anos, as praias maravilhosas... tudo isso faz parte de uma personalidade turística que Cuba se viu obrigada – para o bem ou para o mal – a adotar como sua. Isso porque os últimos anos foram duros para aquelas pessoas de sorriso fácil, de educação impecável e de uma receptividade enorme.

O sorriso é fácil, mas os olhos são tristes e preocupados. A pobreza é latente e a falta de manutenção e cuidado com uma cidade como Havana, que sem dúvida deve ter sido uma joia há algumas décadas, fazem saltar aos olhos a necessidade urgente de uma mudança de postura perante o mundo. Mas o melhor de tudo, e a parte que mais agradecemos, foi a oportunidade de conversar com as mais distintas pessoas e entender que aqui do alto de nossa ignorância criamos preconceitos que eles mesmos, cidadãos que convivem com o regime de Fidel, não criaram.


Eles têm sentimentos mistos e são capazes de, mesmo vivendo com 12 pesos conversíveis ao mês – pouco, mas muito pouco mesmo –, separar o que de bom e mau o regime trouxe. Têm orgulho de sua educação de primeira, onde todos falam três línguas e chegam, no mínimo, à nona série; têm orgulho de seus brilhantes médicos, que só não são mais brilhantes pela absoluta falta de recursos; têm orgulho de seus heróis que, de verdade, salvaram o povo cubano. Mas entendem que a necessidade de apego a uma crença que não cabe nesse mundo atual e a dificuldade de dar o braço a torcer de um líder colocam Cuba em um estado de perigo eminente de miséria, fome e desastres urbanos.

Ainda assim, são pessoas felizes. Temos, portanto, muito em comum com nossos irmãos cubanos pela capacidade de superação e de sorrir perante grandes obstáculos na vida. Mas temos também muito o que aprender: capacidade de análise e julgamento, orgulho de nosso país com todos os seus defeitos e esperança. ESPERANÇA.