É foda ter 20 e tantos anos no Brasil hoje. É foda ser jovem, é foda trabalhar no mundo corporativo. Mas foda, foda mesmo é ser jovem, trabalhar no mundo corporativo e ser de esquerda. Por que aí, meu amigo, você tá perdendo a razão. Aí fica difícil dos companheiros entenderem... fica difícil pro chefe ramphastos entender, complica pra todo mundo, sabe?
Não dá pra você querer trabalhar pro sistema, fazer a roda do capitalismo girar e ao mesmo tempo querer bradar aos quatro ventos que se preocupa com o bem estar coletivo, que é favor da faixa exclusiva de ônibus, que acha massa as ciclovias e que tá cagando pra vaga de estacionamento que o comércio vai perder porque vias são para trânsito e não pertencem a ninguém. Porque quem é de esquerda de verdade é comunista, socialista, essas coisa tudo aí que o Che Guevera, o Fidel e o povo todo lá de Cuba acham bonito, e tem que viver na pobreza, mostrar que é santo igual São Francisco de Assis e sair pelado pelas ruas.
E daí piora tudo se você não nasceu pobre, mas ainda assim se preocupa com a situação de miséria que vivem milhões de seres tão humanos quanto você. Você nem tem nada a ver com isso, fica aí querendo fazer revolução preguiçosa de Facebook e ler Gregório Duvivier... essa esquerda caviar, tão diferente de quem pintou a cara e foi pra rua pelas Diretas...
E aí o cara que foi educado pra pensar no próximo independente da sua própria condição, o cara que lê, que procura saber, que se solidariza, que enxerga um pouco além. Que entende política como o ato de governar para a maioria e não para quem pode mais. Esse cara se pergunta todo dia se as crenças dele não estão erradas porque na real ele é pouco aceito em todos os círculos. E o esforço do dia-a-dia para evitar certos assuntos aqui, e outros assuntos acolá... é um esforço chato pra caramba! E esse moço que quer um pouco de liberdade para fazer as suas próprias mudanças dentro de um contexto altamente complexo, como é o universo das empresas, mas ainda assim dotado de alguns valores, esse é julgado e condenado por não tomar posições extremas.
E onde foi que as posições extremas levaram dezenas de sociedades ao longo da história do mundo? E por que não podemos pensar no mundo corporativo como um catalisador de sonhos? Como uma plataforma de geração de renda, de empregos, e portanto de dignidade? É porque tem escândalo na Petrobrás? É porque tem empresa que ainda usa trabalho escravo? É porque o CEO é milionário e eu não? Até dava pra concordar, não fosse essa mala-sem-alça-porém-fundamental necessidade de um meio termo.
Não dá pra você querer trabalhar pro sistema, fazer a roda do capitalismo girar e ao mesmo tempo querer bradar aos quatro ventos que se preocupa com o bem estar coletivo, que é favor da faixa exclusiva de ônibus, que acha massa as ciclovias e que tá cagando pra vaga de estacionamento que o comércio vai perder porque vias são para trânsito e não pertencem a ninguém. Porque quem é de esquerda de verdade é comunista, socialista, essas coisa tudo aí que o Che Guevera, o Fidel e o povo todo lá de Cuba acham bonito, e tem que viver na pobreza, mostrar que é santo igual São Francisco de Assis e sair pelado pelas ruas.
E daí piora tudo se você não nasceu pobre, mas ainda assim se preocupa com a situação de miséria que vivem milhões de seres tão humanos quanto você. Você nem tem nada a ver com isso, fica aí querendo fazer revolução preguiçosa de Facebook e ler Gregório Duvivier... essa esquerda caviar, tão diferente de quem pintou a cara e foi pra rua pelas Diretas...
E aí o cara que foi educado pra pensar no próximo independente da sua própria condição, o cara que lê, que procura saber, que se solidariza, que enxerga um pouco além. Que entende política como o ato de governar para a maioria e não para quem pode mais. Esse cara se pergunta todo dia se as crenças dele não estão erradas porque na real ele é pouco aceito em todos os círculos. E o esforço do dia-a-dia para evitar certos assuntos aqui, e outros assuntos acolá... é um esforço chato pra caramba! E esse moço que quer um pouco de liberdade para fazer as suas próprias mudanças dentro de um contexto altamente complexo, como é o universo das empresas, mas ainda assim dotado de alguns valores, esse é julgado e condenado por não tomar posições extremas.
E onde foi que as posições extremas levaram dezenas de sociedades ao longo da história do mundo? E por que não podemos pensar no mundo corporativo como um catalisador de sonhos? Como uma plataforma de geração de renda, de empregos, e portanto de dignidade? É porque tem escândalo na Petrobrás? É porque tem empresa que ainda usa trabalho escravo? É porque o CEO é milionário e eu não? Até dava pra concordar, não fosse essa mala-sem-alça-porém-fundamental necessidade de um meio termo.
Aposto que se eu conhecesse algum jovem que trabalha no mundo corporativo e é de esquerda, ele diria que torce para que as próximas gerações de comandantes das empresas brasileiras enxerguem sua grande importância dentro da sociedade e continuem ganhando muito, muito dinheiro que possa ser transformado em empregos, em educação, em projetos de responsabilidade social... aposto também que ele diria que não quer que o Brasil vire a Venezuela e muito menos os Estados Unidos. E que no fundo, ele reza todo dia pro universo dar um jeito em tudo que tá errado na direita, na esquerda, arriba y abajo. Por que meu amigo, tem coisa errada até dentro da sua casa, é só você dar uma olhadinha mais atenta...
Mas como o meio termo precisa existir e nem tudo é feito de chorumelas, essa gente estranha que gosta de ouvir Elis-rainha, Valesca-sua-diva e Beethoven-quando-tá-no-clima, às vezes encontra umas espécies raras como a sua. Então, eis que a triste felicidade de não ser óbvio é compreendida e faz algum sentido. E aí a conversa é mais honesta, as dúvidas saem do esconderijo secreto para dar lugar aos debates pouco preconceituosos e os sorrisos surgem junto com um pouquinho de esperança e uma taça de vinho.
Mas como o meio termo precisa existir e nem tudo é feito de chorumelas, essa gente estranha que gosta de ouvir Elis-rainha, Valesca-sua-diva e Beethoven-quando-tá-no-clima, às vezes encontra umas espécies raras como a sua. Então, eis que a triste felicidade de não ser óbvio é compreendida e faz algum sentido. E aí a conversa é mais honesta, as dúvidas saem do esconderijo secreto para dar lugar aos debates pouco preconceituosos e os sorrisos surgem junto com um pouquinho de esperança e uma taça de vinho.

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