9 de junho de 2014

Democracia padrão FIFA

Recentemente coloquei a minha opinião sobre a demissão de metroviários em greve de forma um pouco irônica (a ironia faz parte da minha alegria de viver) em uma rede social. O que se sucedeu foi um debate bastante acalorado entre partes desconhecidas. E isso me levou a pensar.

Sou uma defensora ferrenha do debate, da discussão e da argumentação. O direito ao debate é natural ao cidadão (alô liberdade de expressão!), assim como é constitucional o direito à greve. Além disso, discutir um tema por vezes é a única maneira de mantê-lo vivo, de fomentar o raciocínio sobre a questão e de, quem sabe, buscar uma solução.

Mas, como todo direito, juntam-se a ele alguns deveres, que na minha própria Constituição incluem, mas não se limitam a: o cidadão deve se informar sobre o assunto a ser debatido, em diversas fontes; o cidadão deve enxergar o tema dentro de um contexto humano, excluindo as dicotomias tolas e os partidarismos desnecessários; o cidadão deve usar de boa educação; o cidadão deve formular uma ideia própria, a partir de sua própria moral e experiências, mas jamais se fechar a mudanças de ideia e opinião que venham a ocorrer pelo bem de todos.

PAUSA. Mais sobre a beleza das mudanças de ideia nesse texto fantástico da Marina Viana.

O fato é que o debate pelo debate é tão inútil quanto gritar sozinho no deserto. E fico intrigada quando vejo que um monte de boas ideias não são suficientes para sustentar uma discussão e que as piadas (piada não é ironia, qualquer coisa pergunta pro Google) são usadas como apoio para cada argumento. O ataque pessoal, seja ao debatedor à nossa frente ou à ideia apresentada, não contribui para a construção saudável de um universo de opiniões mais rico. E aí, nesse debate aqui entre eu e eu mesma, concluí que essa tal democracia é negócio para poucos. Não existe democracia padrão FIFA. Enquanto não soubermos trocar ideias e experiências de maneira mais consciente, ainda precisaremos lidar com milhares e milhares de vândalos digitais ou black blocks do debate. #imaginaprasempre

Um comentário:

Ma Viana disse...

Sabe que eu nem me envolvi nos debates justamente por causa disso. Se cara a cara galere já não se entende, que dirá botando interpretação de texto no meio! Com ironia então…aí é que ferra o rolê de vez rs. Eu concordo com você, e acho que o debate saudável é importante pra cacete, mas confesso que as vezes me dá uma preguiiiiça…
Belo texto! Passarei por aqui mais vezes ;)